O que é inteligência emocional?
O que é inteligência emocional?

Perguntas e respostas





1.O que é inteligência emocional?

De acordo com a proposta de Mayer e Salovey (1990), inteligência emocional é a capacidade de raciocinar em cima de informações emocionais de maneira a se adaptar melhor aos eventos que acontecem em nossa vida.

Mais especificamente, a inteligência emocional está dividida em quatro capacidades menores:

A. Percepção emocional
Capacidade de perceber adequadamente as emoções que a própria pessoa está sentindo e também as emoções expressas pelas outras pessoas. Em um nível mais avançado, inclui perceber se as expressões emocionais dos outros são verdadeiras ou falsas.

B. Facilitação emocional
Capacidade de gerar certos estados emocionais que facilitam o próprio desempenho. Por exemplo, algumas pessoas se sentem melhor escutando certo tipo de música enquanto trabalham e, por isso, têm melhor desempenho.

C. Compreensão emocional
Capacidade de nomear e identificar como as emoções podem se misturar ou transitar, ao longo do tempo, de um estado para outro. Por exemplo, uma notícia desagradável e inesperada pode gerar decepção, que é a mistura de surpresa + tristeza, e momentos mais tarde pode gerar raiva por não ter recebido a notícia que achava que merecia.

D. Gerenciamento emocional
Capacidade de utilizar as informações anteriores de maneira integrada, a fim de se adaptar melhor às próprias emoções e aos relacionamentos com os outros.



2.Existem outros modelos de inteligência emocional?

Sim, depois que Mayer e Salovey propuseram o conceito de inteligência emocional em 1990, vários outros autores trouxeram contribuições para a área. Alguns modelos conhecidos são esses:

Daniel Goleman
Goleman (1995) propôs cinco domínios da inteligência emocional, embora ele mencione que se trara da proposta original de Mayer e Salovey. Os domínios são:
  • Domínio das próprias emoções - autoconsciência do indivíduo, incluindo autoconfiança e capacidade para reconhecer um sentimento quando ele ocorre e controlá-lo, de maneira a ter maior autonomia sobre a própria vida
  • Lidar com emoções - habilidade da pessoa para lidar apropriadamente com seus sentimentos, confortando-se ou livrando-se das emoções negativas
  • Motivar-se - dispor das emoções para se atingir uma meta, desenvolvendo automotivação, otimismo e criatividade, sendo que o autocontrole emocional (reprimir os impulsos e adiar o prazer para alcançar uma recompensa maior) é o mecanismo por trás de tal realização
  • Reconhecer emoções nos outros - empatia como a capacidade de reconhecer sinais sutis que exprimem o que as outras pessoas querem ou precisam
  • Lidar com relacionamentos - define a competência em lidar com as emoções dos outros e trabalhar em equipe, sendo essa a chave para a popularidade e a liderança
Reuven Bar-On
Bar-On (1997) também dividiu a inteligência emocional em cinco áreas amplas de aptidões e competências:
  • Aptidões intrapessoais - qualidades como autoconsciência emocional, autorrealização, independência, autorrespeito e assertividade
  • Aptidões interpessoais - qualidade dos relacionamentos, empatia e responsabilidade social
  • Adaptabilidade - características como capacidade de resolução de problemas, teste de realidade e flexibilidade
  • Administração do estresse - habilidade do indivíduo para gerenciar seus impulsos e ser tolerante ao estresse
  • Humor geral - felicidade e otimismo



3.Qual a diferença entre esses modelos de inteligência emocional?

O modelo original de Mayer e Salovey propõe a inteligência emocional como uma capacidade cognitiva, assim como outros tipos de inteligência. Já os modelos de Goleman e Bar-On são chamados de "modelos mistos" porque misturam capacidades cognitivas com aspectos de personalidade e motivação.

De maneira geral, o modelo de Mayer e Salovey encontra maior aceitação na comunidade científica, por ser mais parcimonioso e ter formas de avaliação mais precisas, enquanto os modelos mistos possuem afirmações que nem sempre são corroboradas em pesquisas.



4.Como se avalia a inteligência emocional?

Existem diversas formas de avaliação da inteligência emocional. Essas formas podem incluir dinâmicas de grupo, simulação de situações, observação direta das pessoas e instrumentos psicológios (ou testes).



5.Esses testes psicológicos são válidos?

Alguns sim, outros não. É importante levar em conta as seguintes considerações quanto à avaliação da inteligência emocional:

A. De acordo com a lei federal 4119 de 1962, é atividade privativa do psicólogo a avaliação de características psicológicas, como a inteligência emocional.

B. O Conselho Federal de Psicologia, seguindo atribuições da lei federal 5766 de 1971, criou em 2003 a resolução 002, que regulamenta a utilização de instrumentos de avaliação psicológica.

C. Segundo a resolução 002/2003, todo instrumento de avaliação psicológica, para ser utilizado profissionalmente, deve ser aprovado por uma comissão consultiva, que é composta por membros rotativos e de produção científica reconhecida. Para ser aprovado, o instrumento deve demonstrar critérios mínimos de cientificidade.

D. Alguns instrumentos para avaliação da inteligência emocional possuem os critérios científicos mínimos para utilização, contudo nenhum ainda foi submetido ao Conselho Federal de Psicologia para apreciação.

E. Portanto, NENHUM INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL ESTÁ APROVADO PARA UTILIZAÇÃO PROFISSIONAL, EM QUALQUER CONTEXTO QUE SEJA.

Você pode encontrar maiores informações sobre utilização de testes psicológios AQUI.



6.Onde eu posso encontrar instrumentos de avaliação da inteligência emocional?

Neste mesmo site, nós temos uma página de pesquisa com instrumentos psicológios, incluindo inteligência emocional. Clique AQUI para conhecer.

Outro teste disponível para pesquisa é o Mayer-Salovey-Caruso Emotional Intelligence Test (MSCEIT), baseado na proposta original de Mayer e Salovey, e que possui estudos de validade no Brasil.

Deve-se lembrar, conforme visto na pergunta 5, que os testes estão disponíveis apenas para pesquisa, não podendo ser utilizados para diagnóstico, seleção profissional, orientação, etc.



7.O que é estresse?

Estresse é a tradução para o termo inglês stress, e designa qualquer alteração no organismo (seja física ou mental) frente às demandas. No senso comum, entende-se estresse como uma situação que causa pressão e desconforto para o indivíduo, que pode acarretar problemas de saúde.

O estresse não tem causa específica, ou seja, não se pode apontar um mesmo fator como origem. Contudo, costuma aparecer durante eventos de excitação emocional, esforço excessivo, fadiga, dor, medo, concentração, humilhação ou até mesmo uma grande notícia positiva e inesperada.

Segundo Selye (1982), proponente do conceito, o estresse pode ser dividido em três fases:

1. Fase de alerta
Resposta inicial do organismo frente à situação de exigência, preparando o indivíduo para o enfrentamento. Pode durar algumas horas.

2. Fase de resistência
Com a demanda não solucionada na primeira fase, o organismo começa a se adaptar ao estado de estresse, consumindo energias. Pode levar dias a semanas. Alguns sintomas típicos dessa fase são problemas com memória, cansaço constante, irritabilidade, dúvidas quanto às próprias capacidades, entre outros.

3. Fase de exaustão
Com a demanda ainda não solucionada, o organismo perde suas energias e doenças crônicas aparecem, como infarto, hipertensão, burnout, depressão, etc.



8.O estresse pode ser positivo?

Há quem proponha que um nível mínimo de estresse seja positivo, pois prepara o indivíduo para o trabalho e a produção. Esse quadro foi chamado de eustress, enquanto que o quadro negativo do estresse, que gera doenças e perda na produtividade, foi chamado de distress.

É importante ressaltar que o eustress se refere às características produtivas e positivas da fase de alerta, que implicam em uma resolução do problema. Contudo, na nossa sociedade é possível encontrar uma valorização do distress, pois se considera que um indivíduo estressado é aquele que trabalha bastante e abre mão de necessidades próprias para o bem da empresa. Isso é um pensamento equivocado. O indivíduo com distress produz menos, está mais sujeito a erros e problemas de saúde, podendo gerar prejuízos para a empresa.



Referências

Bar-On, R. (1997). The Bar-On Emotional Quotient Inventory (EQ-i): A test of emotional intelligence. Toronto, Canada: Multi-Health Systems.

Goleman, D. (1995). Inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva.

Salovey, P., & Mayer, J. D. (1990). Emotional intelligence. Imagination, Cognition and Personality, 9(3), 185–221. doi:10.2190/DUGG-P24E-52WK-6CDG

Selye, H. (1982). History and present status of the stress concept. Em L. Goldberger & S. Breznitz (Eds.), Handbook of stress: Theoretical and clinical aspects. (pp. 7-17). New York: Free Pass.